quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Capitulo 17

   Uma bela manhã se inicia em Verdant Court, onde todos caminhavam despreocupados, sabendo que Colress havia sido derrotado e no momento não corriam perigo.


 — Hm, eu não estou muito confortável. Acho que ser controlada por aquele humano amante de canhões me deixou com dor de cabeça. — Zebstrika, uma das moradoras do reino que foi vítima de Colress, parecia um pouco atordoada, andando enquanto prestava atenção ao seu redor, como se um Darumaka faminto fosse tentar devorá-la a qualquer momento.


 — Eu estou bem calmo, mas se eu ver aquele idiota vou queimar os adesivos de canhões dele. — Torracat fala, andando como se estivesse dançando. Ao seu lado, um cachorrinho caminhava com um osso na boca, o encarando.


 — Eu só quero enterrar esse osso!


 — É bom ver todos bem. — Mike comenta, sentado na grama.

 — O reino é muito bonito quando está em paz. — Meowth tocava seu violão, enquanto Dewott afiava sua concha e Timburr colocava um curativo na rachadura de sua tábua. Meloetta apenas observa os formatos das nuvens.


 — Huh... — Lurantis se aproxima do grupo, que volta sua atenção para ela. — A Queen Serperior está os chamando.

Pokemon Unova - The Mythical World. Capitulo 17: Alguém sabe meu futuro.


   Na sala principal do castelo da Queen Serperior, a rainha recebia o grupo e Lurantis, enquanto Escavalier estava de pé ao seu lado.


 — Bem vindo, herói. — ela sorri para Mike, que faz uma referência. — E... os outros. 

 — Meow, olá!

 — Ca-ham. Obrigado por chamá-los, Lurantis. Os chamei para dar uma sugestão que pode ser útil. — a rainha observa todos se entreolharem. — Vocês poderiam consultar o Xatu. Ele pode ver o futuro, porém, só compartilha seu dom com aqueles que vencem seu desafio, que não é nada fácil.


 — Um desafio, é?


 — Ele pode falar algo que complemente a profecia.


 — Iremos atrás dele então, certo?

   Horas depois, na masmorra do Xatu, Meloetta fugia de um Pidove, que a bicava ferozmente.


 — Hyah! — Dewott salta, erguendo suas conchas e acertando um golpe cruzado nas costas do pombo, que cai nocauteado na frente da Pokemon mítica.


 — "Iremos atrás dele então"... Pra que fui falar isso?

 — Essa primeira fase de batalhas foi mesmo muito cansativa... — Mike enxuga uma gota de suor escorrendo em sua testa. Meowth sai de dentro do seu casaco, suspirando.

 — Meow, ainda bem que acabou.

 — Eu estou me sentindo estranho... — Timburr crava sua tábua no chão e todos se aproximam dele. — Eu sinto que deveria ter sido capturado na Serene Village.

 — Por que pensa isso?

 — Eu... não sei muito bem. Apenas sinto.

 — Meow, eu só sinto sede! — Meowth fala, fazendo Timburr rir um pouco. Uma porta surge no local e todos a atravessam, chegando até uma sala escura onde uma luz iluminava um copo d'água numa mesa. — Que sorte!


 — Espere. É estranho um copo d'água aparecer do nada, logo após você falar que está com sede.

 — É verdade.

 — Meow, não vejo nada de mau num copo d'água! — ele corre na direção do copo, porém, não conseguia chegar até ele. — Isso é maldade, eu estou com muita sede!

 — Eu não sei o que fazer, mas gostaria de estar sentada... — Meloetta fala, cruzando os braços. Ao seu lado, um banco aparece. Ela tenta chegar até ele, mas não consegue.

 — Eu quero ver Bisharp. — Dewott exclama e a imagem de Bisharp se materializa ao seu lado. Ele tenta avançar em sua direção, porém, também não consegue. Então, arremessa uma concha, que cai um centímetro à sua frente. — Estamos sendo refletidos!

 — Também não consigo chegar até a porta! — Timburr grita, se esforçando para correr na direção da porta.


 — Sala estúpida! — Meowth começa a arranhar o chão escuro, praguejando. De repente, ele escuta um gemido de dor e para de arranhar. — Tem alguém aqui! Meow!!

 — Cuidado! — Meloetta tenta avisar, porém, não adiantou. Toda a escuridão da sala se concentra em uma mão negra que agarra Meowth e o ergue. A sala se ilumina e um fantasma surge em seu centro.


 — Bem vindos ao segundo desafio da masmorra do Xatu! Esta é uma dimensão que eu criei, e vocês só poderão passar caso me vençam, jogando pelas minhas regras. 

 — Solte o Meowth! — Mike grita, erguendo seu cajado.

 — Venha pegá-lo! Gwahawaha!

   Mike avança na direção do fantasma, que projeita berries em sua frente, o soterrando. Por trás e pelos lados, Meloetta, Timburr e Dewott tentam o atingir, porém, ele cria uma barreira de algodão doce, os prendendo.

 — Meow... Eu quero algodão doce...

 — Kyah! — Mike sai da pilha de berries, disparando um raio de seu cajado, atingindo a barriga do fantasma.


 — Sem gracinhas, garoto! — o fantasma cria uma névoa fantasmagórica que cerca o corpo de Mike, o fazendo se ajoelhar.


 — O-o que está acontecendo comigo?

 — Acalme-se, não vai doer nada.... apenas dormirá por um tempo! — o grande e único olho do Pokemon brilha em vermelho, fazendo a névoa cobrir o corpo do garoto, que grita.


 — Mike...!

    Na mente do garoto, ele se encontrava sentado na grama, entre várias casas.

 — Não pode ser... Serene Village?


 — Mike! Aonde você esteve todo esse tempo?!

 — Minccino?!

 — Não fique surpreso. Precisamos da sua ajuda. — a chinchila agarra o braço de Mike e o arrasta até o riacho da vila, onde os moradores disparavam ataques contra um aglomerado de névoa negra. — Está vendo aquilo? É terrível, não é? Precisamos detê-lo!

 — O-o que é?!


 — Como assim o que é? Hm, aquilo está ali por sua culpa.

 — Minha culpa?

 — Sua culpa. Sua culpa, Mike! A escuridão é sua culpa!

 — E-eu não estou entendendo! — Mike começa a recuar, enquanto todos os moradores caminhavam lentamente em sua direção.

 — Sua culpa!

 — Sua culpa!

 — Sua culpa!

 — Parem! Como eu posso ajudar?!


 — Poxa, Mike.

 — Você já não é mais o mesmo... está diferente. Mike... — o cachorro rosna, porém, de repente, o aglomerado explode. O céu escurece e todos os Pokemon começam a se contorcer, sendo envoltos por uma aura negra.

 — É sua culpa... — os moradores continuam repetindo a mesma frase, só que agora com um tom maligno.


 — Não estou entendendo! — Mike tropeça num graveto e cai sentado, com as costas encostadas no tronco de uma árvore.


 — Você se acha esperto, não? Acha que consegue salvar um mundo em que conheceu faz menos de um mês? — a escuridão se materializa na anciã, que estava envolta por uma névoa. — Você é inútil. Seus amigos acreditam em você, mas logo saberão que não vale nada. Escolhido? Sim, você é. Mas não é o que eles pensam. 

 — O quê?! — todos que estavam em sua frente se sentem ameaçados com a presença da anciã e recuam, se camuflando nas sombras. 

 — Você é o começo do fim. — ela ergue Mike pela gola da camisa, o encarando friamente.

 — Não é real. Isso não é real. Já passei por algo assim antes, na ilusão do Zoroark. Se eu sei a verdade, não funciona!

 — Isto não é uma ilusão, tolo. Por que não pode aceitar que as coisas são reais? Você ainda duvida disso tudo, não é? — várias Gothitelle aparecem no local, todas cercando Mike.


 — Pare...


 — Por favor...


 — Eu não mudei! — Mike grita, derramando algumas lágrimas. As outras Gothitelle desaparecem, deixando só a anciã no local, que parecia assustada. — Já disse que salvarei esse mundo. Salvarei a Serene Village e você também.

 — O que está dizendo? — ela começa a se afastar mais ainda, percebendo um brilho na mochila de Mike, mais precisamente vindo do cajado dele. — O cajado de Lymus?!

 — Lymus?

 — Devo me retirar agora. — a anciã desaparece em meio a sua névoa. O brilho do cajado desaparece e Mike acaba ficando sozinho próximo ao riacho, sem entender absolutamente nada. Até que, após alguns minutos, ele desperta, no colo de Dewott.

 — Você está bem, jovem mestre? — Dewott pergunta, observando Mike se levantar assustado, prestando atenção ao seu redor. — Dusknoir te fez dormir durante toda a luta.

 — Nós o derrotamos com isso! Meow! — Meowth ergue um crucifixo.

 — Ele se distraiu rindo e então Dewott o nocauteou. — Meloetta por fim conclui, soltando uma risadinha.

 — O que estava sonhando? Parecia assustado demais.

 — Dusknoir me fez ter um pesadelo...

 — Não, apenas o fiz dormir mesmo. — Dusknoir fala, amarrado por cordas e cercado de sal. — Eu poderia escapar daqui ficando invisível ou queimando a corda, mas esse gato realmente me fez rir achando que aquela cruz de madeira poderia me vencer. Podem passar.

 — Calado, fantasma! Meow!


 — Hm... É melhor irmos para a próxima sala então, não?


 — Ainda acho que algo o preocupa, mas o melhor a fazer é avançarmos.

   Ao passarem pela porta, chegam até uma sala exatamente igual à de Dusknoir. Em seu centro, um Pokemon flutuava, rindo.


 — Bem vindos ao último e mais difícil desafio da masmorra do Xatu, hihihi. Sou Abra, o mestre do teleporte. A cada 100 que tentam me vencer, apenas 1 ou 2 saem vitoriosos. 


 — Não parece tão difícil.

 — Hyah! — Dewott arremessa suas conchas na direção de Abra, que se teleporta para atrás de suas costas, onde desvia de um chute de Meloetta, se teleportando para a esquerda dela.

 — Ele está fazendo um jogo conosco. — Mike fala, já retirando o cajado de sua mochila.


 — Já querem desistir?

 — Nunca! 

 — Meow!

   Timburr e Meowth saltam na direção de Abra, que, meio segundo antes de ser atingido, se teleporta, fazendo os dois Pokemon colidirem.

 — Hihihi. — de repente, Abra é abraçado por Dewott, que o aperta com força. — Huh?!

 — Te peguei! — Dewott tenta acertar uma cabeçada no Pokemon em seu colo, porém, ele se teleporta novamente, desviando.

 — Argh! Isso é muito irritante! — Meloetta diz, tentando acertar chutes em Abra, que ria a cada vez que desviava.

 — Talvez se eu... Vem lavar a louça! — Mike exclama, ativando seu cajado, que dispara raios aleatoriamente. Abra desvia de todos e começa a rolar no chão à rir.


 — Meow, é impossível...

 — Podem desistir a qualquer momento, hihihi.

 — Estamos fazendo algo errado. Atacar o Abra não é a escolha certa. — Mike fala, coçando o queixo. — Ou talvez seja. Todos vocês, disparem o máximo de ataques que conseguirem na direção do Abra!

 — Não tentem me cansar, posso usar Recover e me curar quando eu quiser. Hihihi!

 — Confiem em mim!

   Após se entreolharem, todos começam a atacar Abra, que continuava com o truque do teleporte. Mike fecha os olhos, se concentrando apenas no barulho do teleporte, pensando que precisava acertá-lo. Seu cajado emite um forte brilho, reagindo aos seus sentimentos e, involuntariamente, o menino pressiona a joia do centro dele, a retirando e a arremessando contra a direção do braço de Dewott, acertando Abra em cheio, que acabara de teleportar-se para lá. A joia explode, liberando uma forte energia que faz Abra retroceder e cair nocauteado.

 — Hihi... Como...?

 — Eu não sei muito bem se estou fazendo certo, mas descobri esse poder do cajado quando lutei contra Colress. Quando me concentro e coloco em mente que quero fazer algo, o cajado reage aos meus sentimentos e a joia do centro dele se torna removível. Então, ao atirá-la, ela explode. Logo, outra surge em seu lugar. Me concentrei no som de seu teleporte e a arremessei na direção do fluxo de energia que você libera quando usa um movimento.

 — Isso... é impressionante. Vocês podem passar, conseguiram vencer os três desafios da masmorra do Xatu. — Abra estala os dedos e uma porta surge na sala. Todos correm na direção dela, para atravessá-la. — Talvez os desafios estejam ficando mais fáceis, esse grupo já é o segundo seguido que me vence hoje... 

   Do outro lado da porta, Mike, Meloetta, Meowth, Dewott e Timburr se deparam com Hugh e Liepard, que conversavam com Xatu.


 — Eles...

 — Foram eles que capturaram os Pokemon da vila... — Meloetta cerra os punhos, prendendo o choro.

 — Acalme-se, Meloetta. Não queremos que a Pirueta destrua tudo.


 — É isso. — Xatu diz, abaixando a cabeça.

 — Hehe... — Hugh se vira na direção de Mike, sorrindo assustadoramente. Em seguida, passa ao seu lado, esbarrando em seu ombro. Liepard e ele passam pela porta, retornando a sala de Abra.


 — Já sei porque todos estão aqui. — Xatu fala, enquanto todos se aproximavam dele.

 — Xatu... eu preciso saber o que você sabe da minha relação com a profecia.

 — O herói entre tempestades e chamas. Um dos que mais confiava perderá seus ideais por uma má interpretação e um dos que mais temia enxergará a verdade do pior jeito possível. Quando achar uma pista, voltará para seu ninho e, quando sair de lá, tarde demais será. — todos ficam em silêncio, tentando interpretar. — É isso. Resta vocês interpretarem. 

 — Eu não entendi muito bem... Viemos atrás de respostas, não de mais perguntas.

 — Você entenderá. Voltem agora para a sala do Abra, ele os teleportará para fora daqui. — todos caminham na direção da porta, agora com mais dúvidas. — E não confie em todos, jovem. Nem todos merecem sua confiança.

 — Ehr... — assim que todos passam pela porta, Timburr volta, correndo na direção de Xatu. — Eu preciso saber algo sobre mim. Por que não fui pego na Serene Village? Não sou importante. O que estou fazendo aqui?

   Após alguns segundos de silêncio, Xatu fala uma única frase, que faz Timburr arregalar os olhos e correr na direção da porta. Abra os teleporta para o reino, onde conversam com a rainha, Lurantis e Escavalier.


 — Oh!... Xatu é meio complicado de se entender, não se assustem. O que ele fala pode ter um sentido totalmente contrário do que as palavras que ele usa expressam.

 — Já é hora de dormir. Todos vocês, para o quarto! — Escavalier fala e todos, já cansados, não protestam e correm para o quarto que a rainha os presenteou.

   Na madrugada, Emolga caminhava pelo reino, iluminando seu caminho com as fracas faíscas concentradas em suas bochechas.

 — Ufa! Finalmente terminei a ronda pelo reino! — porém, ao virar-se, vê uma sombra correndo para a parte deserta do reino. Então, levada pela curiosidade, decide segui-la.

Continua

2 comentários:

  1. Gostei do capítulo, espero que estas missões em masmorras continuem, achei ela bem divertida, se tivesse saído no Halloween ficaria ainda mais perfeito =P
    Gostei de como conduziu tudo, ficou algo bem misterioso e até Mike acreditou no que estava vendo, mesmo sabendo que aqueles Pokémon haviam sido pegos pelo Hugh.

    Ficou tudo muito bom, mas a verdadeira pergunta deste capítulo é:
    Rockruff conseguiu enterrar o osso, ou não? Preciso saber a resposta ao maior mistério da fanfic.
    Continua ^^

    ResponderExcluir
  2. Capítulo muito bom mesmo, talvez o mais misterioso até agora da fanfic.
    Alguns Pokémon ainda parecem assustados por causa do Colress, acho que vai demorar um tempinho pra eles esquecerem o que aconteceu. O challenge do Xatu foi uma ideia muito boa, ele tem mesmo essa aparência mística, de vidente, oráculo, algo assim. A parte do Dusknoir foi tensa, ainda mais depois que ele explicou que não tinha criado nenhum pesadelo. Seria o futuro do Mike naquela visão? Fiquei bastante curioso com isso e também com o que a Gothilette falou do cajado do Mike. O que será que o Xatu disse para o Hugh? E para o Timburr? OMG, são muitos mistérios! E ainda por cima temos esse finalzinho suspeito. Acho que a Emolga vai se dar mal :v
    Ansioso p/ mais!

    ResponderExcluir